Texto: Amanda Pickler/Rebecca Gomes

Em tempos onde os jovens não querem perder tempo nos estudos, algumas pessoas da meia-idade aproveitam para realizar seus sonhos. Em uma pesquisa feita pela Faculdade Pio XII, os estudantes da “meia-idade” representam hoje quase um terço dos 7 milhões de universitários matriculados em 2,5 mil instituições de ensino superior no Brasil.

Nara Toni Oelmann, 73, iniciou a graduação de Direito aos 68 anos, e não deixou que a idade fosse um impecílio para que obtesse seu diploma. Sueli Guimarães, 50, se formou aos 44 anos em Serviço Social e engravidou no meio de sua graduação.

Mãe de quatro filhos, Nara sempre se dedicou a sua família. “Eu sempre me dediquei muito aos meus filhos. E quando eles cresceram e se casaram eu passei a cuidar dos meus netos”, conta Nara. Após concluir o Ensino Fundamental I, em 1955, Nara resolveu trabalhar para ajudar sua família e ganhar seu próprio dinheiro. Casou-se aos 18 anos e aos 19 teve seu primeiro filho.

Após 44 anos sem estudar, resolveu voltar aos estudos para concluir o primeiro grau, em 1999. Sem imaginar que chegaria tão longe, Nara que sempre quis seguir a carreira de Direito, viu-se diante da oportunidade que nunca tivera, fazer uma faculdade. “Depois do Ensino Médio, eu ainda me atrevi a fazer a faculdade”, conta rindo.

Formada em 2017 pela Faculdade da União das Instituições Educacionais de São Paulo (UNIESP), a doutora se manteve firme mesmo em meio as barreiras que encontrou no meio do caminho. “Meu marido teve dois AVC’s (Acidente Vascular Cerebral), o primeiro foi quando eu estava no segundo semestre, mas, meus filhos não me deixaram desistir”, conta Nara.

“Eu tive dificuldade em arrumar emprego por não ter um horário flexível, pois eu tinha que cuidar do meu marido. Mas, eu consegui um estágio em um escritório que eu poderia ir quando eu pudesse”, afirma Nara.

A profissional de Recursos Humanos e sócia diretora da empresa Rhaden Consulting, Erica Pesseti, 44, conta que notou que o mercado de trabalho para as pessoas acima de 40 anos tem melhorado. “As empresas estão menos preconceituosas por acreditarem que são mais comprometidas, responsáveis, que evitam conflitos e têm mais preocupação em ter uma estabilidade na empresa”, afirma Erica.

Erica conta que muitas dessas pessoas já têm experiência. “Geralmente, essas pessoas pararam de trabalhar para cuidar dos filhos ou tratar de algum problema. Nós tendemos a avaliar se a pessoa sabe lidar com a tecnologia, algo que é muito exigido pelas empresas”, conta. Erica diz que vê esse fenômeno com frequência e que também existem pessoas que buscam um padrão melhor de vida. “Muitas pessoas estão buscando uma graduação para ter uma melhor colocação no mercado e um desenvolvimento profissional”, explica a analista.

O mesmo aconteceu com Sueli Guimarães, 50. Após concluir o Ensino Médio, Sueli não teve oportunidade de fazer uma faculdade por condições financeiras. Já com um trabalho estabilizado na área administrativa no Hospital das Clínicas, em 2008, Sueli prestou um concurso onde conseguiu uma bolsa integral para a faculdade de Serviço Social na FMU (Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas).

“Minha maior dificuldade era o horário, mas eu precisava aproveitar essa oportunidade ”, afirma Sueli.

A formanda também conta que tinha dificuldade em fazer os diversos papéis que tinha, como mãe, esposa, estudante e trabalhadora. Em meados dos últimos semestres, Sueli engravidou aos 43 anos, mas, isso também não foi impedimento para a estudante. “Minha família me ajudou muito para que eu pudesse concluir a graduação, pois quando minha filha nasceu ainda faltava um ano para eu me formar, mas, foi tranquilo até”, afirma rindo.

O site Maturi Jobs, é uma plataforma online que anuncia vagas e oportunidade no mercado de trabalho para pessoas acima dos 50 anos. Sua sede é localizada na Avenida Paulista, 1311 e varia desde o trabalho formal até voluntariado. “Isso é um sinal de que as empresas estão se abrindo e deixando esse preconceito de que as pessoas mais maduras não vão acompanhar o ritmo”, afirma.