Texto: Rebecca Gomes / Amanda Pickler

A geração Millennials, também conhecida como geração Y, é formada por jovens autênticos e visionários, mas que vivem uma luta diária contra suas próprias angústias. 

Os Millennials são pessoas nascidas entre os anos 1980 e 2000. A chegada da internet e sua conectividade tornou essa geração uma das mais influentes a já existir. No entanto, o ritmo acelerado que essa tecnologia proporcionou também a fez notavelmente frustrada. Doenças mentais como a ansiedade e a depressão são os maiores obstáculos desses jovens.

Segundo a psiquiatra Carla Mendes, 30, o principal diagnóstico visto nessa geração é o transtorno de ansiedade, caracterizado por pensamento acelerado, agitação psicomotora, taquicardia e mal-estar. A depressão não fica muito atrás. “Aconteceu um boom nas taxas de suicídio por jovens”, afirma a doutora. Ela explica que tais doenças têm em suas causas diversos fatores, dentre eles: genético, familiar, e principalmente ambiental. E completa: “vive-se em uma sociedade muito competitiva”.  A enorme circulação de informações, muitas vezes, leva as pessoas a uma comparação com o outro. E é aí que redes sociais como o instagram e o facebook tornam-se prejudiciais. Tal fator, unido ao contexto de instabilidade econômica e crise política atual, deixa esses jovens ainda mais ansiosos, algo que eventualmente pode se desenvolver em um transtorno.

Esse quadro afeta diretamente o mercado de trabalho. A coordenadora de Jovens Aprendizes na empresa ADP Brasil, Tayane Moreto, 28, comenta que as doenças mentais causam um impacto direto na produtividade no trabalho. “Há o desafio em equilibrar a atuação das organizações e as próprias escolhas pessoais para que sejam minimizados os fatores que desencadeiam estas doenças”, comenta Tayane.

Guilherme Andrade, 26, é um dentre muitos jovens millennials que sofre de ansiedade. Ele acredita que sua geração é movida pelo imediatismo. “No âmbito profissional, nós queremos crescer muito rápido, na mesma proporção que recebemos informações pela internet”. Guilherme, que é formado em Direito, explica que desde o início de sua faculdade sentia-se frustrado e que escolheu o curso por imposição familiar. “Existe uma enorme pressão em escolher sua carreira aos 17 anos. Eu acho muito cedo para se tomar uma decisão tão importante”, disse ele.  

Hoje em dia, Guilherme não exerce a profissão de advogado e tenta a sorte como ator. Ele afirma que o teatro virou sua válvula de escape. Além disso, conseguiu superar sua ansiedade e início de depressão com a ajuda de uma terapeuta.

De fato, uma outra característica dessa geração é colocar o bem-estar acima da perspectiva de uma remuneração elevada. Segundo pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), 99% desses jovens dizem que só se mantêm envolvidos em atividades que lhes dão prazer, e 96% encaram o trabalho como uma ferramenta de realização pessoal. 

Segundo Carla Mendes, isso ocorre por influência da geração anterior. “Tais jovens, muito provavelmente, viram seus pais exercendo uma profissão que não gostavam, algo que os levou a um esgotamento emocional”. No entanto, mesmo exercendo profissões que visam a realização pessoal, as frustrações ainda são grandes quando expectativa e realidade entram em choque. Guilherme é prova disso. Atualmente, trabalha com o que gosta, mas admite ser uma área bastante ingrata. “É preciso aprender a lidar com isso. Alguns dias são bem difíceis. Vejo muitos desistindo por uma questão de imediatismo e baixa autoestima”.

Por esse motivo, Carla ressalta a necessidade de se procurar ajuda. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) disponibilizam ao público psicólogos, psiquiatras e terapias ocupacionais. “Não é necessário nenhum encaminhamento médico. Basta comparecer e será feita uma triagem”. Os postos são alocados por regiões pela Secretaria Municipal de Saúde e são gratuitos.